• Joana Câncio

Parentalidade Consciente ou... o que é que eu ando a fazer?

Tenho naturalmente vontade de resolver tudo e muitas vezes ficava frustrada por não conseguir. Criei os 3 P´s. Percepcionar, Perspectivar e Preserverar.



Leio muito. Não leio tudo, mas leio imenso. Pesquiso, interrogo-me, converso com amigas e profissionais da área, estudo. Interesso-me. Porque na maior parte das vezes o que faço instintivamente e por repetição não me agrada e eu procuro novas formas de estar realmente presente para os meus filhos.


Só comecei a questionar-me verdadeiramente depois da Constança começar a comunicar verbalmente e eu ter obrigatoriamente de dar resposta à avalanche que todos os dias desabava sobre mim.


Dei por mim muitas vezes a gritar, a castigar, desesperada e sem recursos para lidar com o comportamento da minha filha. Não tinha grandes conhecimentos sobre educação e por incrível que pareça, não sabia que poderia estudar e que existiam ferramentas para comunicar as minhas intenções de uma forma clara e não violenta. Limitava-me a repetir padrões e só quando comecei a sentir vergonha do meu comportamento e a sentir que estava a perder a minha filha, comecei a procurar soluções. Graças a Deus, não demorei muito tempo, mas ainda assim, acho que foi tempo demais e, apesar de me perdoar por saber que vivia em ignorância, ainda me custa lembrar que já gritei, castiguei e dei uma palmada quando poderia certamente ter conseguido de outra forma. Uma delas, para mim a mais poderosa, abraçar durante uma birra, dizer que não pode comportar-se de certa maneira, que a amo e que juntas vamos encontrar uma solução.


Hoje, apesar de ainda treinar todos os dias a minha presença e de haver dias mais fáceis do que outros, sinto orgulho quando a minha filha perante um conflito, repete as minhas palavras: "Tudo tem solução!".

Este é um post de soluções e, por isso, vou focar-me nas minhas grandes descobertas, as que mudaram a minha vida para sempre.


Eu. Quem sou eu? Qual o meu propósito? Gosto de ser mãe? Qual a minha prioridade quando comunico? Aqui começa a verdadeira viagem. Descobri que antes de qualquer ensinamento que pudesse absorver sobre educação, precisava descobrir quem sou, o que quero e para onde vou. Descobri que quero estar em paz, que quero comunicar com calma e que não quero viver envolvida nas minhas emoções. Quero, sim, aprender com todos os momentos e manter-me no meu centro enquanto testemunho os acontecimentos. É um treino diário que requer imensa coragem e que dá frutos quando queremos realmente crescer, Ser e Estar para nós e para os nossos filhos.


Depois de nos conhecermos um bocadinho melhor, precisamos definir alguns pontos que nos irão ajudar todos os dias a lembrar-nos do essencial. Estas são as minhas Guide Lines.


Objetivo: O meu objectivo como mãe é estar presente de uma forma tranquila. Também grito, mas agora só acontece quando estou mesmo cansada ou preocupada. Segue-se de imediato um pedido de desculpas, um abraço e uma decisão colocada com firmeza em vez de coação. Tenho presente que quero manter a tranquilidade no espaço familiar e assim consigo ter mais calma quando as coisas apertam.


Ponto forte: Comunicar. Esta é a minha grande força. Para me proteger fui colocando alguns filtros ao longo dos anos que me ajudavam a despistar os intrusos, por isso não consegui aceder logo a quem realmente sou. Ao descascar estes filtros, fui percebendo que quando estou no meu centro, tenho uma visão mais abrangente dos acontecimentos e consigo comunicar melhor o que sinto e, consequentemente, compreender melhor o que os meus filhos sentem dando-lhes, assim, um espaço seguro para se expressarem livremente.


Gestão de Conflitos: Tenho naturalmente vontade de resolver tudo e muitas vezes ficava frustrada por não conseguir. Criei os 3 P´s. Percepcionar, Perspectivar e Preserverar. Quando estou perante um conflito a primeira coisa que faço é percepcionar. Mesmo que a minha mente não entenda, o meu coração consegue absorver a energia que me rodeia. Depois coloco em perspectiva, este é muito útil porque tenho dificuldade em colocar-me no lugar dos miúdos, por isso crio uma alternativa na minha mente: e se eu estivesse a sentir isto? E mesmo que não consiga entender, respiro e uso as ferramentas de detetive que a Mikaela Oven tão bem sugere no livro Educar com Mindfulness e começo a minha jornada de perguntas abertas às crianças para adquirir mais pistas até chegar ao tesouro. Preservar: a nossa relação. De cada vez que digo uma palavra negativa, repreendo ou castigo, estou a afastá-los de mim e a perder a sua confiança. Por isso mostro apenas as consequências que explico com firmeza e aplico com a calma possível no momento. Dou o meu melhor para formular tudo na positiva e fazê-los entender que apesar de tudo ter uma solução, certo comportamento não é tolerado.


Momento de conexão: Os dias são muito atarefados e nós, pais, temos a mente a 1000 com preocupações e medos. Por isso precisamos de criar momentos de conexão diários quando eles ainda não acontecem naturalmente. Para isso, é preciso que identifiquemos em que momento do dia eu consigo estar completamente para cada um dos meus filhos. Por exemplo, para a minha filha é o momento antes de dormir. Deitamo-nos as duas, falamos sobre o nosso dia, trocamos mimos e adormeço-a com tranquilidade.Não temos outro momento, por isso apesar de alguns especialistas defenderem que as crianças precisam de aprender a adormecer sozinhas, eu, apesar de não discordar, tive de colocar na balança o que teria mais importância para ela e para mim. E como não existia mais nenhum momento de presença total, este é o nosso momento e eu gosto de pensar que quando ela tiver a sua casa e adormecer na sua cama sozinha, fecha os olhos e lembra-se do meu carinho e da minha presença... Há melhor lugar seguro que este?


Negociação: Esta é a mais desafiante para os pais mais rígidos, mas a mais poderosa quando nos predispomos a vivê-la. Negociar. Aqui em casa há coisas que são regra, mas que às vezes podem ser negociadas. e, apesar de ser uma trabalheira, alarga muito os horizontes das crianças e dá espaço aos pais para poderem, também eles, fazer algumas coisas rotineiras de forma diferente. Por exemplo, é regra em nossa casa fazer todas as refeições à mesa. Sempre. Até um lanche. Sou eu quem limpa a casa, por isso faço-os entender que quando comem pela casa estão a dar-me mais trabalho e menos tempo livre para estar com eles. Mas, de vez em quando, comemos no sofá! E é uma festa. Acontece mesmo de vez em quando, estilo piquenique para proporcionar um momento familiar diferente (normalmente acontece no dia anterior a aspirar a casa!!) e, assim, criar mais conexão. Às vezes pedem e não é possível e eu negoceio. "Hoje não dá, mas que tal no fim de semana e podem escolher a ementa?". Criar alternativas confere às crianças uma sensação mais abrangente da vida... E isso é algo muito importante para mim, ajudar as crianças a terem uma visão consciente para além do que sabem, do que vêm e do momento que estão a viver. Comecei a perceber que se negociar nas coisas do dia a dia, quando há um momento de tensão ou mais emotivo, consigo negociar com mais facilidade e antecipar momentos de sofrimento para eles e para mim.


Agora é só começar! Aguardo com entusiasmo os vossos comentários, as vossas partilhas e as vossas questões!


Educar é um mundo e é nele que escolho viver, todos os dias.


Este post é dedicado à minha Rita Tristão da Silva que celebra hoje o quinto aniversário do seu primeiro filho de três. E com quem tanto converso e debato os temas da educação. Com ela choro e partilho tudo, mas mesmo tudo o que vai na minha alma e nela encontro o meu refúgio e a minha ligação a tudo o que acredito. Obrigada por me validares, sempre! É um privilégio fazer esta caminhada contigo.




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