• Joana Câncio

Amor em Tempos de Covid

Estamos a viver um momento que nos vai dizer se prometemos ou não falhar para sempre… Para já, amo-te e prometo falhar ao pensar em desistir de te amar.



Ofereci-te o livro Prometo Falhar do Pedro Chagas Freitas quando nos conhecemos. Dizia na capa: "O amor acontece quando desistimos de ser perfeitos". Achei perfeito para nós. Achei que depois de tantas vivências até chegar a ti, só podia mesmo prometer que ia falhar. E recuperar. E perdoar. E falhar outra vez.


Escrevi este texto inspirado nesta promessa que temos desde o início, que nos ajuda a perdoar nos tempos difíceis e a não criar expectativas impossíveis para cada um de nós. Estamos a viver um momento que nos vai dizer se prometemos ou não falhar para sempre… Para já, amo-te e prometo falhar ao pensar em desistir de te amar.


Prometo falhar. Todos os dias.

Prometo não fazer refeições incríveis, nem ter a casa aspirada dia sim dia não. Prometo que não vou olhar-te nos olhos e dizer-te que te amo, apesar de pensar em fazê-lo pelo menos duas vezes por dia… mas é tanta coisa…


Prometo que não vou chorar e que vou aguentar estoicamente isto tudo.


Prometo que nem todos os dias vou acreditar em nós, nos miúdos e que vai ficar tudo bem. Também prometo que vou acreditar, acredita.


Prometo falhar com a entrega dos trabalhos dos miúdos, esquecer-me de uma aula on-line.

Prometo que é quarta feira e não me apetece ser professora. Nem empregada doméstica. Nem tua amante, nem mãe. Apetece-me ser eu, sabes?


Por isso.

Prometo falhar. Mas nunca falhar-te.


Vou falhar e gritar num dia e pedir desculpa a seguir. Vou falhar e fazer xixi com o tampo para baixo porque estou demasiado cansada para confirmar tudo.


Prometo, de coração, que vou falhar um beijo.


Um beijo de bom dia, porque tenho o bebé com a fralda cheia, a do meio amuada porque não posso fazer um jogo com ela às 7.30h da manhã e o mais velho mergulhado no tablet a tentar fugir à aula no computador enquanto fazes o pequeno almoço a pensar como é que vamos pagar as contas este mês.


Prometo, mesmo, falhar. De coração. Sem merdas.


Vou falhar a chegar ao fim do filme, são 21.30h e tenho sono. E também vou falhar às 7h porque quero dormir, tive insónias. Estou ansiosa com isto tudo, pá.

Não tens culpa. Mas falhas tão pouco….


Prometo ter inveja da tua coragem de fazeres todos os dias a mesma coisa apesar de só quereres estar numa praia na Tailândia. Também prometo que falhas, não penses. Mas falhas menos vezes, sabes?


Acho eu. Prometo estar mais atenta. E se falhares vou fazer-te prometer que vais falhar. Assim estamos juntos em tudo.


Prometo falhar, meu amor. Isto está a ser uma loucura e eu às vezes quero fugir. E depois quero fugir da vontade de fugir, porque é uma grande falha, não é? Mas também prometi falhar, por isso….


Também prometo falhar nas desistências. Sabes aquelas pessoas que se separam quando as coisas apertam?

Pronto, eu prometo falhar nisso.

Prometo desistir da vontade de desistir. E persistir na vontade de te amar.


Vou começar a pensar em falhar em menos promessas. Prometi que íamos fazer amor 3 vezes por semana e falho pelo menos em três. Prometi que íamos te mais conversas, mas são a correr enquanto limpo o chão dos cereais do bebé ou tento resolver um conflito dos mais velhos.


Agora também já não faz mal. Prometi falhar, não foi?


Então… perdoas-me?

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